É só repousar meus braços sobre o papel que sem que eu tome conhecimento, as linhas que eu escrevo se amarram em meus pulsos, como algumas linhas de nailon. Elas passam a escrever por mim. Quando percebo, estou preso as folhas e, a cada movimento que faço tentando me libertar, mais profundos são os cortes que essas linhas entalham na minha pele. Não mais consigo empurrar a caneta. O nó aperta, atritando - se contra meus ossos. O sangue cobre as folhas pautadas, apagando tudo o que eu escrevo, até então. Fitando a folha, agora vermelha, vejo que esta livre para escrever novamente, agora em novas cores.
Me pergunto: Devo ou não escrever?
Devo ou não dizer?
Devo eu apenas guardar pra mim esses contraditórios sentimentos? No calor da hora, a gente não percebe que as flores que a gente escreve podem atingir como espinhos a pele do destinário. A gente manda rosas, mas se esquece de avisar que elas devem ser seguradas pelo caule repletos de espinhos. Palavras são como armas de fogo operadas por cegos.
Quando as palavras nos amarram, tudo o que a gente precisa é de alguém que tenha um canivete suíço. Mas, amarrados, agente não tem como procurar.
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